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Gestión de obras

5 de jun. de 2026

Como a falta de evidência impacta prazo e custo nas obras

Como a falta de evidência impacta prazo e custo nas obras

Fotos descentralizadas, mensagens no WhatsApp e relatórios parciais não refletem a realidade da obra. Entenda por que as evidências são essenciais para a gestão

Fotos descentralizadas, mensagens no WhatsApp e relatórios parciais não refletem a realidade da obra. Entenda por que as evidências são essenciais para a gestão

Bianca Mariani

Marketing

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evidências para gestão de obras

Em algum momento da sua carreira, você provavelmente já participou de uma reunião em que surgiu uma pergunta aparentemente simples: “Quando isso aconteceu?”.

Pode ter sido uma interferência entre disciplinas, uma divergência de execução, um serviço que precisou ser refeito ou um atraso em determinada frente de trabalho. O problema começa quando ninguém consegue responder com segurança.

Nesse momento, equipes procuram fotografias antigas, revisam relatórios, consultam grupos de mensagens e tentam reconstruir acontecimentos a partir da memória das pessoas envolvidas. O que deveria ser uma análise objetiva se transforma em uma busca por informações dispersas.

Embora essa situação seja comum na construção civil, seus impactos vão muito além do desconforto operacional. A dificuldade de comprovar o que aconteceu em campo afeta diretamente a capacidade de controlar cronogramas, reduzir retrabalho e tomar decisões com agilidade.

À medida que os empreendimentos se tornam mais complexos e as operações mais distribuídas, a disponibilidade de evidências confiáveis passa a influenciar cada vez mais os resultados do negócio.

Quando a falta de informação gera atrasos

A maioria dos atrasos não surge a partir de um único evento crítico. Em muitos casos, eles são consequência de problemas que permanecem sem visibilidade durante parte da execução.

Quando uma ocorrência é identificada rapidamente, as equipes normalmente conseguem ajustar o planejamento, reorganizar atividades e limitar seus impactos. O cenário muda quando o problema só é percebido depois que outras frentes já avançaram ou quando diferentes equipes passaram a trabalhar com informações divergentes.

Para muitos especialistas em gestão de projetos, a capacidade de detectar desvios precocemente é um dos fatores que mais influenciam a previsibilidade dos empreendimentos. Quanto maior o intervalo entre a ocorrência de um problema e sua identificação, menor tende a ser a capacidade de corrigi-lo sem impactos relevantes sobre prazo, produtividade e custo.

Além disso, a falta de registros estruturados dificulta a validação do próprio avanço físico da obra. Não é raro que contratante, construtora e equipes de campo tenham interpretações diferentes sobre o estágio real de execução de determinadas atividades, criando ruídos que afetam planejamento, medições e tomada de decisão.

O impacto financeiro vai além do retrabalho

Quando se fala em perdas associadas à falta de visibilidade, o retrabalho costuma ser o exemplo mais lembrado. E existem bons motivos para isso.

Segundo estimativas amplamente utilizadas pelo Construction Industry Institute (CII), o retrabalho pode representar entre 5% e 15% do valor total de um projeto, dependendo do tipo de empreendimento e do nível de maturidade dos processos de gestão. Em muitos casos, os problemas são identificados apenas depois que outras atividades já foram executadas sobre a área afetada.

No entanto, os custos não se limitam à correção do serviço. A descoberta tardia de um problema pode gerar reprogramação de equipes, extensão de contratos, remobilização de fornecedores e aumento dos custos indiretos da obra. Dependendo do estágio da execução, uma ocorrência relativamente simples pode desencadear impactos financeiros desproporcionais.

Para empresas que atuam com expansão de redes varejistas, centros logísticos ou operações industriais, existe ainda um fator adicional: o atraso da entrada em operação. Nesses cenários, cada dia perdido pode representar postergação de receita, impacto sobre metas de crescimento e redução da velocidade de retorno do investimento.

Por que operações multi-site enfrentam um desafio ainda maior

Controlar uma obra já exige uma quantidade significativa de informações. Controlar dezenas delas simultaneamente é um desafio de outra escala.

Gestores responsáveis por programas de expansão costumam depender de visitas periódicas, relatórios de acompanhamento e atualizações enviadas pelas equipes locais. Embora esses mecanismos sejam importantes, eles nem sempre conseguem acompanhar o ritmo das mudanças que acontecem diariamente em campo.

Além disso, diferentes profissionais registram informações de formas diferentes. O que uma equipe considera uma evidência suficiente pode não atender às necessidades de quem está tomando decisões em outro estado ou até em outro país.

Como consequência, muitos gestores acabam gastando tempo excessivo validando informações antes de conseguir agir sobre elas. Em vez de discutir soluções, as reuniões passam a ser dedicadas à confirmação do que realmente aconteceu.

Evidência também é uma ferramenta de gestão de riscos

A construção civil trabalha constantemente com riscos técnicos, operacionais e contratuais. Nesse contexto, a disponibilidade de registros confiáveis influencia diretamente a capacidade de análise e tomada de decisão.

Quando surge uma divergência relacionada a escopo, prazo ou responsabilidade por determinada ocorrência, reconstruir o histórico da obra torna-se fundamental. Entretanto, sem documentação consistente, essa análise depende de fontes fragmentadas e, muitas vezes, contraditórias.

O relatório Construction Disconnected, produzido pela Autodesk em parceria com a FMI Corporation, aponta que problemas relacionados à comunicação e à gestão de informações estão entre as principais causas de perdas de produtividade e retrabalho no setor.

Por esse motivo, empresas com maior maturidade digital têm direcionado esforços para melhorar não apenas a circulação das informações, mas também a qualidade dos registros produzidos ao longo da execução. Quanto mais confiável for a base de evidências disponível, maior tende a ser a capacidade de identificar causas, justificar decisões e reduzir incertezas.

O papel da Captura da Realidade nesse cenário

Nos últimos anos, tecnologias de Captura da Realidade passaram a ocupar um espaço cada vez mais relevante na estratégia de gestão de obras. Câmeras 360°, drones e levantamento 3D permitem registrar as condições reais de um empreendimento com frequência e detalhamento superiores aos métodos tradicionais de acompanhamento.

Saiba mais sobre o tema no Relatório Captura da Realidade no Brasil 2025-2026

Na prática, esse tipo de evidência amplia a capacidade das equipes de consultar o histórico da obra, comparar períodos diferentes e verificar condições que muitas vezes deixariam de ser documentadas em registros convencionais.

Esse tipo de informação também contribui para uma análise mais objetiva da execução. Em vez de depender exclusivamente de relatos e referências de como o projeto deve ser, gestores podem acessar evidências visuais e espaciais que ajudam a compreender o contexto de determinada ocorrência.

“Deixamos de demolir duas paredes inteiras porque o sistema nos alertou que a tubulação já estava fora da posição." (Engenheiro de Incorporadora de São Paulo)

Para operações distribuídas geograficamente, o benefício é ainda mais relevante. A possibilidade de acompanhar remotamente a evolução dos empreendimentos reduz a dependência de deslocamentos frequentes e facilita a padronização do monitoramento entre diferentes unidades.

Um novo capítulo na gestão de obras

Durante décadas, a construção civil aprendeu a conviver com atrasos, retrabalho e disputas sobre o que aconteceu em uma obra. Muitas dessas situações passaram a ser tratadas como parte natural da atividade.

Mas vale uma reflexão: quantos problemas poderiam ter sido evitados se tivessem sido identificados uma semana antes? Ou até alguns dias antes?

À medida que as tecnologias de Captura da Realidade evoluem, a discussão deixa de ser apenas sobre documentar uma obra e passa a ser sobre a velocidade com que as equipes conseguem identificar desvios, entender suas causas e agir antes que os impactos se espalhem para outras frentes.

Se você quer entender melhor como isso funciona na prática, preparamos um Guia de Captura da Realidade que apresenta as principais tecnologias utilizadas atualmente, suas aplicações na construção civil e os benefícios observados por empresas que já incorporaram essa abordagem em seus processos de gestão.

Sobre el autor

Bianca Mariani

Marketing

Tales Silva es Ingeniero Civil formado por la PUCRS (2016) y tiene un MBA Ejecutivo con enfoque en marketing por la ESPM-Sul (2019). Tiene experiencia en proyectos estructurales y en construcciones industrializadas. Es fundador y CEO de Construct IN, una construtech que ofrece una plataforma de gestión y documentación de obras a través de imágenes 360º.

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