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14 de out. de 2026

Volumetria na construção civil: como medir corte e aterro com drone

Volumetria na construção civil: como medir corte e aterro com drone

Quanta terra ainda falta mover para chegar à cota do projeto? Veja como drone e nuvem de pontos calculam corte e aterro e o que muda com a Volumetria no Visi.

Quanta terra ainda falta mover para chegar à cota do projeto? Veja como drone e nuvem de pontos calculam corte e aterro e o que muda com a Volumetria no Visi.

Aline Torres

Marketing

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Canteiro de obras em terraplenagem, com escavadeira e caminhão movimentando terra em um terreno com áreas de corte e aterro.

Sumário

  • O que é volumetria na construção civil?

  • Para que serve: corte, aterro e cota de referência

  • Em que fase da obra se olha para o volume de terra?

  • Como o levantamento topográfico mede o terreno hoje

  • Como drone e nuvem de pontos medem o relevo

  • O drone substitui o topógrafo?

  • Volumetria e Captura da Realidade

  • O Visi e o Mapeamento por Drone

  • Volumetria no Visi: Análise de Relevo e Medir Volume

  • O que muda na rotina de quem gerencia a obra

Quase toda obra inicia ou possui a etapa de terraplenagem, e logo no início surge uma pergunta que mexe com prazo e custo: quantos metros cúbicos ainda tenho disponível em estoque de corte e quanto preciso adquirir para o terreno chegar à cota do projeto? A volumetria na construção civil é o cálculo que responde a essa pergunta, e a resposta define quantos caminhões chamar, se haverá aproveitamento de movimentação de terra e quando as próximas etapas da obra podem começar e o cronograma avançar.

Tradicionalmente, esse número vem do setor de projetos que projetaram a configuração desejada do terreno para a edificação e da equipe de topografia, que mede o estado atual do terreno, e entrega o resultado dias depois. Entre uma visita e outra, quem gerencia a obra acompanha o avanço pelo relato da equipe. Este artigo explica como a volumetria funciona, em que fase da obra ela pesa, como drones e nuvens de pontos entram nessa conta e o que muda com a nova funcionalidade de Volumetria do Visi.

O que é volumetria na construção civil?

Volumetria, na construção civil, é o cálculo do volume de uma porção de terreno ou de material, em metros cúbicos. Na terraplenagem, ela indica quanta terra está acima de uma cota definida em projeto e precisa ser cortada, o quanto está abaixo e precisa ser aterrado, e também quanto material existe em uma pilha de estoque.

Esse volume só faz sentido em relação a uma referência. Um terreno natural tem morros e depressões, enquanto o projeto define a altitude em que a obra será construída. A diferença entre o terreno real e essa altitude é o que a volumetria quantifica.

Para que serve: corte, aterro e cota de referência

Tudo o que está acima da cota de referência é corte, e tudo o que está abaixo é aterro. O resultado líquido, que compara os dois volumes, mostra se o terreno tem terra sobrando ou faltando para atingir o nível desejado.

Para quem toca a obra, o cenário mais vantajoso é buscar a compensação de volumes dentro do próprio terreno, aproveitando o material nas áreas de corte para executar os aterros. Isso reduz ou elimina a necessidade de material de empréstimo, cuja aquisição e transporte elevam o custo da terraplenagem.


Diagrama em corte lateral de um terreno com a cota de referência, destacando a terra acima como corte e o espaço abaixo como aterro.

A margem de erro pesa nessa conta. Em uma área de 1.000 m2, um desvio de apenas 10 cm na cota de projeto resulta em uma diferença de 100 m³(9-10 caminhões) de volume geométrico, seja em material de empréstimo adquirido a mais, seja em escavação executada sem necessidade. Em terrenos maiores essa diferença escala na mesma proporção.

Em que fase da obra se olha para o volume de terra?

A volumetria é uma questão das etapas iniciais da obra. A terraplenagem acontece antes da fundação, e o levantamento planialtimétrico é o primeiro passo de praticamente qualquer construção, inclusive de reformas em que é preciso conhecer o desnível de um piso.

Nessa fase, a topografia funciona como critério de aceite da etapa: quando a equipe confirma que o terreno chegou à cota prevista, a frente de serviço é liberada para as etapas subsequentes. Se a cota não foi atingida, a etapa não se encerra e o cronograma atrasa. Por isso, a pergunta "já chegamos na cota?" é feita com frequência durante a movimentação de terra.

Essa checagem se repete enquanto o trabalho avança, porque o volume muda a cada dia de máquina em campo. Aterros, cortes e pilhas de estoque são medidos mais de uma vez, e a comparação entre medições revela o avanço físico real da obra, permitindo confrontá-lo com o planejado.

Como o levantamento topográfico mede o terreno hoje

No método tradicional, o levantamento é feito por nivelamento geométrico. Em dupla, um auxiliar posiciona a régua graduada sobre cada ponto, enquanto o operador realiza a leitura com o nível e calcula a diferença de altura em relação a uma referência de nível. O processo se repete em dezenas de pontos e, dependendo do terreno, leva dias.

Há equipamentos a laser que fazem esse levantamento com menos pessoas e maior precisão, mas o investimento é alto. Em geral, a topografia é contratada de terceiros: depois da medição em campo, o escritório processa os dados e entrega um relatório com os níveis do terreno. Quem costuma negociar esse serviço é a diretoria de engenharia, que define quantas visitas serão feitas, enquanto o engenheiro de obra recebe o material e cobra a equipe de terraplenagem para atingir as cotas.

O ponto crítico está no intervalo entre as visitas. Sem dados atualizados, o engenheiro opera por estimativas e só descobre a situação real quando o topógrafo volta. Se a cota não foi atingida, a visita confirma um atraso que poderia ter sido identificado e corrigido antes.

Como drone e nuvem de pontos medem o relevo

O drone faz o levantamento do terreno por fotogrametria: percorre a área seguindo um plano de voo predefinido, tirando fotos verticais em sequência, como um aspirador robô que percorre o cômodo, e um processamento combina as imagens e calcula a posição e a altura de cada ponto. O voo é rápido, e o processamento acontece na plataforma depois que as fotos são enviadas.

Dessa combinação saem dois produtos:

  1. O ortomosaico, que é uma imagem aérea georreferenciada em 2D do terreno, sem informação de elevação;

  2. A nuvem de pontos, que é um modelo em 3D formado por milhões de pontos, cada um com coordenadas de posição e altitude. É a nuvem que permite analisar o relevo e medir volumes.

Esse modelo também pode ser obtido por tecnologia LiDAR (laser), que mede a distância de cada ponto diretamente, em vez de derivá-la das fotos. A diferença lembra fotografar uma parede do sofá, por exemplo: para escolher a cor da tinta, a foto de longe resolve; para estudar a textura, é preciso chegar mais perto.

Por isso, a precisão depende do equipamento. Drones mais simples dão uma noção visual do relevo, mas com precisão baixa. Drones mais robustos chegam à casa dos centímetros, e o laser, aos milímetros.

O drone substitui o topógrafo?

Não, nem tem a pretensão de substituir. O topógrafo continua necessário tanto pela responsabilidade técnica que assume sobre o levantamento, quanto pelo domínio da metodologia que garante a precisão do resultado.

Adquirir um drone não equivale a dispor de um serviço de topografia: o equipamento é uma ferramenta, e muitos topógrafos inclusive já utilizam drones em seus próprios levantamentos, combinando a fotogrametria com pontos de controle medidos em solo.

O drone entrega um meio-termo útil: informação suficiente para acompanhar o avanço e decidir quando vale a pena chamar a equipe responsável.

Veja um exemplo:

Uma depressão precisa ser aterrada em duas semanas. Passada uma semana, um voo e uma medição mostram que o nível subiu, mas ainda não chegou à cota. Chamar o topógrafo agora geraria um custo para confirmar algo já conhecido. Na semana seguinte, com o drone indicando que a cota está próxima, a visita da topografia serve para validar o resultado e aceite da etapa.

O levantamento também ajuda a direcionar a equipe em campo, porque mostra em que parte do terreno ainda falta escavar ou aterrar. Para o engenheiro, fica mais simples cobrar o foco no setor certo e mostrar à diretoria o andamento da etapa com uma medida em mãos.

Volumetria e Captura da Realidade

Captura da Realidade é o conjunto de tecnologias usadas para registrar digitalmente as condições físicas de uma obra, como imagens 360°, drones, ortomosaicos e nuvens de pontos. Na Construct IN, esses registros são tratados como evidência, uma camada que se soma ao relato da equipe e à referência do projeto para sustentar uma avaliação e, depois, uma decisão.

A terraplenagem mostra bem como as três peças se encaixam. O relato é a informação do engenheiro de que o aterro está chegando na cota. A referência é o projeto, que define a cota a ser atingida. A evidência é o levantamento com drone, que registra como o terreno está naquele momento. Comparar as três permite avaliar a situação e decidir se chama o topógrafo, se reforça a equipe ou se pede mais caminhões.

A evidência não substitui o relato: quem conhece a rotina da obra continua sendo o engenheiro. A volumetria é o passo que converte a evidência visual do terreno em um número, o que torna a conversa entre campo, engenharia e diretoria mais objetiva, além de acelerar e respaldar a tomada de decisão.

O Visi e o Mapeamento por Drone

O Visi é a plataforma da Construct IN que reúne as evidências capturadas na obra, como as imagens 360° e o mapeamento por drone. No Mapeamento por Drone, a equipe envia as fotos de um voo, a plataforma as processa e o resultado fica disponível no ortomosaico e na nuvem de pontos, com a possibilidade de comparar levantamentos feitos em datas diferentes.

Até aqui, a leitura do relevo no Visi era qualitativa. Era possível enxergar a obra em 2D e em 3D e medir áreas e distâncias, mas não havia uma forma de medir elevação ou calcular quanto de terra precisava ser movimentada. Para isso, era preciso recorrer à topografia em campo ou a medições pouco práticas.

Volumetria no Visi: Análise de Relevo e Medir Volume

A nova funcionalidade de Volumetria chega à nuvem de pontos do Mapeamento por Drone em duas frentes: a Análise de Relevo e a ferramenta Medir Volume. Juntas, elas permitem enxergar a elevação do terreno e extrair volumes de corte e aterro sem sair do Visi.

Análise de Relevo

No Visualizador de Nuvem de Pontos, o botão Relevo, no canto inferior esquerdo, aplica um degradê de cores sobre o terreno conforme a elevação, do azul nos pontos mais baixos ao vermelho nos mais altos. Mesmo quem não é da área consegue identificar de imediato as regiões mais altas e mais baixas do terreno, sem calcular nada. Os valores exibidos são altitudes em relação ao nível do mar.

Análise de Relevo no Visi mostrando a nuvem de pontos de um terreno colorida do azul ao vermelho conforme a elevação, com o histograma de elevação.

O histograma de elevação mostra quanto de área existe em cada cota. É possível arrastar os extremos do histograma, ou digitar os valores, para destacar apenas a faixa de elevação que interessa. 

Um uso prático é descobrir onde ainda falta aterrar. Basta definir a cota de projeto como limite máximo do filtro: o resultado mostra quanto do terreno ainda está abaixo dela. As áreas filtradas aparecem destacadas na nuvem de pontos, mostrando exatamente onde estão localizadas essas cotas filtradas. 

Medir Volume

A ferramenta segue o padrão de interação que já existe no Visi e funciona em três passos:

  1. Demarque a área de interesse. Ao clicar em Medir Volume, marque ponto a ponto a região a calcular, como um volume de material ou uma área de corte, e feche a área clicando novamente no ponto inicial.

  2. Defina a cota de elevação de referência. É a altitude usada como base: o que estiver acima dela é corte e o que estiver abaixo é aterro. Você pode digitar o valor ou usar a opção "Extrair nível de referência na nuvem" e defini-lo direto na nuvem de pontos.

  3. Veja o resultado. O Visi calcula o volume de corte, o volume de aterro e o resultado líquido da área demarcada.

Ferramenta Medir Volume do Visi com uma área demarcada na nuvem de pontos e o resultado de volume de corte, aterro e líquido.

O nível de referência e os pontos da área podem ser editados a qualquer momento, mesmo depois de o cálculo ser apresentado, em Editar pontos. A ferramenta Capturar Tela, na barra de ferramentas, gera um registro do resultado para salvar ou enviar como anexo.

O que muda na rotina de quem gerencia a obra

Com o volume calculado na nuvem de pontos, o acompanhamento da terraplenagem passa a depender menos de idas a campo. A cada novo voo, o time pode medir de novo e comparar com a medição anterior, o que torna o acompanhamento mais frequente e com menos esforço.

Algumas decisões ficam mais simples:

  • saber quanto de volume de corte ainda existe no estoque do terreno e se ela cobre os aterros;

  • estimar quantos caminhões serão necessários, dividindo o volume a aterrar pela capacidade de cada um, e ajustar o pedido conforme o nível sobe;

  • identificar rapidamente os pontos altos e baixos com a Análise de Relevo;

  • escolher o momento de chamar a topografia, sem pagar visitas apenas para confirmar o que já se sabe.

Há limites que a engenharia deve manter no radar. A volumetria apoia o acompanhamento e o planejamento, mas não substitui a topografia nem a validação técnica.

A volumetria responde a uma pergunta que acompanha a obra desde as primeiras semanas: quanta terra ainda falta movimentar para chegar à cota do projeto. A topografia segue sendo a referência para validar essa resposta, e o drone com a nuvem de pontos preenche o intervalo entre as visitas com uma medida que pode ser consultada a qualquer momento.

Com a Volumetria no Visi, esse cálculo passa a acontecer no mesmo ambiente em que o time já consulta o ortomosaico e a nuvem de pontos, ligando o que a equipe relata, o que o projeto prevê e o que o terreno mostra.

Quer ver a Volumetria funcionando em um levantamento de drone? Veja o artigo na página de Novidades do Visi.

Sumário

  • O que é volumetria na construção civil?

  • Para que serve: corte, aterro e cota de referência

  • Em que fase da obra se olha para o volume de terra?

  • Como o levantamento topográfico mede o terreno hoje

  • Como drone e nuvem de pontos medem o relevo

  • O drone substitui o topógrafo?

  • Volumetria e Captura da Realidade

  • O Visi e o Mapeamento por Drone

  • Volumetria no Visi: Análise de Relevo e Medir Volume

  • O que muda na rotina de quem gerencia a obra

Quase toda obra inicia ou possui a etapa de terraplenagem, e logo no início surge uma pergunta que mexe com prazo e custo: quantos metros cúbicos ainda tenho disponível em estoque de corte e quanto preciso adquirir para o terreno chegar à cota do projeto? A volumetria na construção civil é o cálculo que responde a essa pergunta, e a resposta define quantos caminhões chamar, se haverá aproveitamento de movimentação de terra e quando as próximas etapas da obra podem começar e o cronograma avançar.

Tradicionalmente, esse número vem do setor de projetos que projetaram a configuração desejada do terreno para a edificação e da equipe de topografia, que mede o estado atual do terreno, e entrega o resultado dias depois. Entre uma visita e outra, quem gerencia a obra acompanha o avanço pelo relato da equipe. Este artigo explica como a volumetria funciona, em que fase da obra ela pesa, como drones e nuvens de pontos entram nessa conta e o que muda com a nova funcionalidade de Volumetria do Visi.

O que é volumetria na construção civil?

Volumetria, na construção civil, é o cálculo do volume de uma porção de terreno ou de material, em metros cúbicos. Na terraplenagem, ela indica quanta terra está acima de uma cota definida em projeto e precisa ser cortada, o quanto está abaixo e precisa ser aterrado, e também quanto material existe em uma pilha de estoque.

Esse volume só faz sentido em relação a uma referência. Um terreno natural tem morros e depressões, enquanto o projeto define a altitude em que a obra será construída. A diferença entre o terreno real e essa altitude é o que a volumetria quantifica.

Para que serve: corte, aterro e cota de referência

Tudo o que está acima da cota de referência é corte, e tudo o que está abaixo é aterro. O resultado líquido, que compara os dois volumes, mostra se o terreno tem terra sobrando ou faltando para atingir o nível desejado.

Para quem toca a obra, o cenário mais vantajoso é buscar a compensação de volumes dentro do próprio terreno, aproveitando o material nas áreas de corte para executar os aterros. Isso reduz ou elimina a necessidade de material de empréstimo, cuja aquisição e transporte elevam o custo da terraplenagem.


Diagrama em corte lateral de um terreno com a cota de referência, destacando a terra acima como corte e o espaço abaixo como aterro.

A margem de erro pesa nessa conta. Em uma área de 1.000 m2, um desvio de apenas 10 cm na cota de projeto resulta em uma diferença de 100 m³(9-10 caminhões) de volume geométrico, seja em material de empréstimo adquirido a mais, seja em escavação executada sem necessidade. Em terrenos maiores essa diferença escala na mesma proporção.

Em que fase da obra se olha para o volume de terra?

A volumetria é uma questão das etapas iniciais da obra. A terraplenagem acontece antes da fundação, e o levantamento planialtimétrico é o primeiro passo de praticamente qualquer construção, inclusive de reformas em que é preciso conhecer o desnível de um piso.

Nessa fase, a topografia funciona como critério de aceite da etapa: quando a equipe confirma que o terreno chegou à cota prevista, a frente de serviço é liberada para as etapas subsequentes. Se a cota não foi atingida, a etapa não se encerra e o cronograma atrasa. Por isso, a pergunta "já chegamos na cota?" é feita com frequência durante a movimentação de terra.

Essa checagem se repete enquanto o trabalho avança, porque o volume muda a cada dia de máquina em campo. Aterros, cortes e pilhas de estoque são medidos mais de uma vez, e a comparação entre medições revela o avanço físico real da obra, permitindo confrontá-lo com o planejado.

Como o levantamento topográfico mede o terreno hoje

No método tradicional, o levantamento é feito por nivelamento geométrico. Em dupla, um auxiliar posiciona a régua graduada sobre cada ponto, enquanto o operador realiza a leitura com o nível e calcula a diferença de altura em relação a uma referência de nível. O processo se repete em dezenas de pontos e, dependendo do terreno, leva dias.

Há equipamentos a laser que fazem esse levantamento com menos pessoas e maior precisão, mas o investimento é alto. Em geral, a topografia é contratada de terceiros: depois da medição em campo, o escritório processa os dados e entrega um relatório com os níveis do terreno. Quem costuma negociar esse serviço é a diretoria de engenharia, que define quantas visitas serão feitas, enquanto o engenheiro de obra recebe o material e cobra a equipe de terraplenagem para atingir as cotas.

O ponto crítico está no intervalo entre as visitas. Sem dados atualizados, o engenheiro opera por estimativas e só descobre a situação real quando o topógrafo volta. Se a cota não foi atingida, a visita confirma um atraso que poderia ter sido identificado e corrigido antes.

Como drone e nuvem de pontos medem o relevo

O drone faz o levantamento do terreno por fotogrametria: percorre a área seguindo um plano de voo predefinido, tirando fotos verticais em sequência, como um aspirador robô que percorre o cômodo, e um processamento combina as imagens e calcula a posição e a altura de cada ponto. O voo é rápido, e o processamento acontece na plataforma depois que as fotos são enviadas.

Dessa combinação saem dois produtos:

  1. O ortomosaico, que é uma imagem aérea georreferenciada em 2D do terreno, sem informação de elevação;

  2. A nuvem de pontos, que é um modelo em 3D formado por milhões de pontos, cada um com coordenadas de posição e altitude. É a nuvem que permite analisar o relevo e medir volumes.

Esse modelo também pode ser obtido por tecnologia LiDAR (laser), que mede a distância de cada ponto diretamente, em vez de derivá-la das fotos. A diferença lembra fotografar uma parede do sofá, por exemplo: para escolher a cor da tinta, a foto de longe resolve; para estudar a textura, é preciso chegar mais perto.

Por isso, a precisão depende do equipamento. Drones mais simples dão uma noção visual do relevo, mas com precisão baixa. Drones mais robustos chegam à casa dos centímetros, e o laser, aos milímetros.

O drone substitui o topógrafo?

Não, nem tem a pretensão de substituir. O topógrafo continua necessário tanto pela responsabilidade técnica que assume sobre o levantamento, quanto pelo domínio da metodologia que garante a precisão do resultado.

Adquirir um drone não equivale a dispor de um serviço de topografia: o equipamento é uma ferramenta, e muitos topógrafos inclusive já utilizam drones em seus próprios levantamentos, combinando a fotogrametria com pontos de controle medidos em solo.

O drone entrega um meio-termo útil: informação suficiente para acompanhar o avanço e decidir quando vale a pena chamar a equipe responsável.

Veja um exemplo:

Uma depressão precisa ser aterrada em duas semanas. Passada uma semana, um voo e uma medição mostram que o nível subiu, mas ainda não chegou à cota. Chamar o topógrafo agora geraria um custo para confirmar algo já conhecido. Na semana seguinte, com o drone indicando que a cota está próxima, a visita da topografia serve para validar o resultado e aceite da etapa.

O levantamento também ajuda a direcionar a equipe em campo, porque mostra em que parte do terreno ainda falta escavar ou aterrar. Para o engenheiro, fica mais simples cobrar o foco no setor certo e mostrar à diretoria o andamento da etapa com uma medida em mãos.

Volumetria e Captura da Realidade

Captura da Realidade é o conjunto de tecnologias usadas para registrar digitalmente as condições físicas de uma obra, como imagens 360°, drones, ortomosaicos e nuvens de pontos. Na Construct IN, esses registros são tratados como evidência, uma camada que se soma ao relato da equipe e à referência do projeto para sustentar uma avaliação e, depois, uma decisão.

A terraplenagem mostra bem como as três peças se encaixam. O relato é a informação do engenheiro de que o aterro está chegando na cota. A referência é o projeto, que define a cota a ser atingida. A evidência é o levantamento com drone, que registra como o terreno está naquele momento. Comparar as três permite avaliar a situação e decidir se chama o topógrafo, se reforça a equipe ou se pede mais caminhões.

A evidência não substitui o relato: quem conhece a rotina da obra continua sendo o engenheiro. A volumetria é o passo que converte a evidência visual do terreno em um número, o que torna a conversa entre campo, engenharia e diretoria mais objetiva, além de acelerar e respaldar a tomada de decisão.

O Visi e o Mapeamento por Drone

O Visi é a plataforma da Construct IN que reúne as evidências capturadas na obra, como as imagens 360° e o mapeamento por drone. No Mapeamento por Drone, a equipe envia as fotos de um voo, a plataforma as processa e o resultado fica disponível no ortomosaico e na nuvem de pontos, com a possibilidade de comparar levantamentos feitos em datas diferentes.

Até aqui, a leitura do relevo no Visi era qualitativa. Era possível enxergar a obra em 2D e em 3D e medir áreas e distâncias, mas não havia uma forma de medir elevação ou calcular quanto de terra precisava ser movimentada. Para isso, era preciso recorrer à topografia em campo ou a medições pouco práticas.

Volumetria no Visi: Análise de Relevo e Medir Volume

A nova funcionalidade de Volumetria chega à nuvem de pontos do Mapeamento por Drone em duas frentes: a Análise de Relevo e a ferramenta Medir Volume. Juntas, elas permitem enxergar a elevação do terreno e extrair volumes de corte e aterro sem sair do Visi.

Análise de Relevo

No Visualizador de Nuvem de Pontos, o botão Relevo, no canto inferior esquerdo, aplica um degradê de cores sobre o terreno conforme a elevação, do azul nos pontos mais baixos ao vermelho nos mais altos. Mesmo quem não é da área consegue identificar de imediato as regiões mais altas e mais baixas do terreno, sem calcular nada. Os valores exibidos são altitudes em relação ao nível do mar.

Análise de Relevo no Visi mostrando a nuvem de pontos de um terreno colorida do azul ao vermelho conforme a elevação, com o histograma de elevação.

O histograma de elevação mostra quanto de área existe em cada cota. É possível arrastar os extremos do histograma, ou digitar os valores, para destacar apenas a faixa de elevação que interessa. 

Um uso prático é descobrir onde ainda falta aterrar. Basta definir a cota de projeto como limite máximo do filtro: o resultado mostra quanto do terreno ainda está abaixo dela. As áreas filtradas aparecem destacadas na nuvem de pontos, mostrando exatamente onde estão localizadas essas cotas filtradas. 

Medir Volume

A ferramenta segue o padrão de interação que já existe no Visi e funciona em três passos:

  1. Demarque a área de interesse. Ao clicar em Medir Volume, marque ponto a ponto a região a calcular, como um volume de material ou uma área de corte, e feche a área clicando novamente no ponto inicial.

  2. Defina a cota de elevação de referência. É a altitude usada como base: o que estiver acima dela é corte e o que estiver abaixo é aterro. Você pode digitar o valor ou usar a opção "Extrair nível de referência na nuvem" e defini-lo direto na nuvem de pontos.

  3. Veja o resultado. O Visi calcula o volume de corte, o volume de aterro e o resultado líquido da área demarcada.

Ferramenta Medir Volume do Visi com uma área demarcada na nuvem de pontos e o resultado de volume de corte, aterro e líquido.

O nível de referência e os pontos da área podem ser editados a qualquer momento, mesmo depois de o cálculo ser apresentado, em Editar pontos. A ferramenta Capturar Tela, na barra de ferramentas, gera um registro do resultado para salvar ou enviar como anexo.

O que muda na rotina de quem gerencia a obra

Com o volume calculado na nuvem de pontos, o acompanhamento da terraplenagem passa a depender menos de idas a campo. A cada novo voo, o time pode medir de novo e comparar com a medição anterior, o que torna o acompanhamento mais frequente e com menos esforço.

Algumas decisões ficam mais simples:

  • saber quanto de volume de corte ainda existe no estoque do terreno e se ela cobre os aterros;

  • estimar quantos caminhões serão necessários, dividindo o volume a aterrar pela capacidade de cada um, e ajustar o pedido conforme o nível sobe;

  • identificar rapidamente os pontos altos e baixos com a Análise de Relevo;

  • escolher o momento de chamar a topografia, sem pagar visitas apenas para confirmar o que já se sabe.

Há limites que a engenharia deve manter no radar. A volumetria apoia o acompanhamento e o planejamento, mas não substitui a topografia nem a validação técnica.

A volumetria responde a uma pergunta que acompanha a obra desde as primeiras semanas: quanta terra ainda falta movimentar para chegar à cota do projeto. A topografia segue sendo a referência para validar essa resposta, e o drone com a nuvem de pontos preenche o intervalo entre as visitas com uma medida que pode ser consultada a qualquer momento.

Com a Volumetria no Visi, esse cálculo passa a acontecer no mesmo ambiente em que o time já consulta o ortomosaico e a nuvem de pontos, ligando o que a equipe relata, o que o projeto prevê e o que o terreno mostra.

Quer ver a Volumetria funcionando em um levantamento de drone? Veja o artigo na página de Novidades do Visi.

Sobre o autor

Aline Torres

Marketing

Formada em Marketing e com especialização em Gestão de Marketing, atua com estratégia de conteúdo, SEO e planejamento editorial desde 2015. Atualmente é Analista de Conteúdo na Construct IN, construtech que oferece plataforma para gestão e documentação de obras por meio de captura da realidade.

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